2017-01-16

Parte 8

O Nascimento dos Independentes

Outra grande mudança na indústria dos quadrinhos estava
acontecendo ao longo dos anos 70; o advento do quadrinho em loja. Já não eram drogarias, bancas ou lojas de doces o único lugar para encontrar seus quadrinhos. Isso também levou ao mercado de vendas diretas, onde a editora poderia vender seu produto direto ao consumidor, contornando os distribuidores. Isso incentivou muitas empresas de quadrinhos independentes a nascer e disponibilizar seu produto exatamente onde ele pertencia sem papo furado, e nenhum código. Além disso, com as independentes, a maioria dos títulos eram propriedade dos criadores, o que significava que os criadores teriam os seus próprios direitos. Enquanto no início dos anos 80 trouxe a morte dos quadrinhos da Warren e da DC, havia
independentes que permaneciam nos bastidores para inaugurar a próximo fase do horror sequencial.

Bruce Jones foi um dos mais bem sucedidos
escritores de horror dos quadrinhos da Warren nos anos 70. Em 1982, ele e sua sócia, April Campbell, produziram o
quadrinho de horror seminal Twisted Tales, para a Pacific
Comics. Livre de códigos, em cores e em papel de qualidade. O quadrinho era uma revelação. A arte foi fornecida por Corben, Wrightson, e o grande terror britânico, John Bolton, entre outros, incluindo alguns dos artistas underground de outrora, todos ilustrando as histórias sinistras de Jones. Estas eram violentas, maduras e muitas vezes controversas, e definitivamente não eram para
crianças. Sua publicação irmã de sci-fi para a Pacífic,
Alien Worlds, era  também de horror as vezes.


A Pacific fechou as portas em 1984 e a Eclipse Comics
se apressou para liberar as duas últimas edições de ambos os títulos de Jones, mas Jones e Campbell não estavam interessados em continuar com eles. A Eclipse lançou então Tales of Terror com muitos dos mesmos artistas da Twisted Tales, e teve uma vida bem sucedida de 13 números.


Denis Kitchen reviveu seu antigo título underground
Death Rattle em torno desta mesma época, mostrando os
talentos artísticos de alguns de seus velhos membros do grupo underground. Um dos títulos mais lembrados com carinho dos meados dos anos 80 foi o Gore Shriek da Fantaco, cuja loucura, histórias e arte subversivas, e um estilo editorial sem censura atiçou uma vida curta mas potente. Um nome comum a muitos destes títulos é Stephen Bissette, possivelmente o nome no topo do horror dos anos 80. Não só ele tinha as histórias na maioria dos títulos acima mencionados, mas ele assumiu como editor-gerente de Gore Shriek na quinta edição. Ele também estava mergulhado na releitura da Saga do Monstro do Pântano para a DC. Bissette era ocupado e prolífico, mas nunca superficial; ele sempre entregava alta qualidade.


Outro ponto brilhante do horror da época eram os vários
títulos reimpressos disponíveis. Russ Cochran estava reimprimindo os clássicos da EC por algum tempo, em vários formatos. Algumas das outras empresas menos visíveis começaram a ser notados novamente. A Eclipse liderou o caminho com Seduction of the Innocent e um punhado de títulos selecionados por Michael Gilbert. Esses quadrinhos trouxeram o horror e sci-fi surreal de Basil Wolverton para muitos olhares novos e descrentes. A  New England Comics publicou Tales Too Terrible to Tell. Não eram apenas reimpressões pré-código, mas continham informações acadêmicas sobre os quadrinhos e editoras menos conhecidas, servindo como um verdadeiro trampolim para jovens historiadores de quadrinhos (leia-se: Geeks) como eu.

Além do Monstro do Pântano restaurado, a DC introduziu outros personagens de 'horror' que tiveram longa duração; Hellblazer (criado por Alan Moore com o onipresente Bissette) e Sandman por Neil Gaiman. A grande notícia para os fãs do horror real no final da década foi a introdução da Taboo de Bissete e (seu parceiro em Monstro de Pântano) John Totleben, uma antologia de horror decididamente forte para adultos. Criadores como S. Clay Wilson, Moore, Gaiman, Bissette, Tim Lucas e Charles Burns deixaram sua imaginação e lados negros correrem desenfreados; estes são alguns dos quadrinhos de horror mais impactantes. Os primeiros sete números foram publicados pela Spiderbaby Graphix do próprio Bissete.


Em meados dos anos 80, Stanley Harris, ex-sócio executivo da Myron Fass, e o homem que adotou as reimpressões da editora Eerie na nova década, adquiriu os direitos sobre os  quadrinhos da defunta Warren em um saldão. Ele fez uma tentativa fraca para restabelecer Creepy e Vampirella com continuações em edições únicas da numeração original, mas achou que as vendas estavam baixas. Em 1991, no entanto, o momento foi melhor e Harris reintroduziu Vampi em um punhado de títulos, algumas reimpressões e alguns novos, e teve um enorme sucesso em suas mãos.


Para melhor ou pior, a nova era de "horror" de bad girls
estava sobre nós. Além de Vampirella, havia Lady Death,
primeiro vista em Evil Ernie #1 (Eternity Comics, 1991) e, em minha opinião, a graça salvadora do gênero, Dawn. A deusa do cabelo ruivo só apareceu nas capas de Cry for Dawn, um quadrinho bem adulto de Joseph Monks e Joseph Michael Linsner. Foi um quadrinho de horror extremamente conflituoso, mas belo iniciado em 1989. A arte de Linsner e o amor óbvio pela forma feminina atraiu muitos fãs, e Dawn finalmente estreou em sua própria série de quadrinhos. As nove edições originais de Cry for Dawn são definitivamente fortes e não são para todos os gostos, mas vêm sendo recomendados para fãs de entretenimento perturbador.


A Vampirella de Harris era um personagem distante diferente da Warren; ela era dura, vil e considerando que a Vampi vintage achava seu vampirismo um obstáculo,
a nova modelo abraçou sua violência e usou-a contra
seus inimigos. Os escritores Kurt Busiek e Tom Sniegoski
fizeram a repaginação de Vampi em uma tigresa durona. 
Deve-se notar também que os vários novos artistas
foram desenhando-a com mamas maiores do que a versão da Warren. Ela deve ter feito um implante drakuloniano.

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