Vampirella: Como Tudo Começou
Após o surgimento do Código de Quadrinhos (um
código de ética e padrões capitaneado pelo controverso
Dr. Frederic Wertham) em 1954, gibis com representação
gráfica de sangue e violência, bem com insinuações
sexuais, foram banidos. Esse foi um terrível baque para os
gibis de crime e terror, cujo material consistia quase que
na sua totalidade de itens proibidos.
A editora Warren Publishing contornou a restrição de
uma maneira criativa: lançou antologias de quadrinhos
de terror, entremeadas a artigos e em formato magazine,
e que tinham artigos mesclados às histórias. A editora
foi uma das pioneiras de quadrinhos em preto e branco
nesse gênero na década de 1960.
As revistas Creepy, de 1964, e Eerie, de 1965, que
começaram essa linha de publicações, tinham um misto
de mascotes e apresentadores das diversas histórias,
conhecidos respectivamente como o Tio Creepy e o
Primo Eerie. Com o sucesso dessas duas publicações, o
caminho estava aberto para mais uma revista nesse estilo.
Mas, ao contrário das duas anteriores, que tinham
como narradores seres horripilantes e feiosos, a titular
apresentadora das tramas de Vampirella era uma vampira
sexy e atraente. Isso era devido a um pouco de desespero
por parte de James Warren: apesar do sucesso das duas
antologias que precederam Vampirella, em 1969 a Warrren
Publishing não andava bem das pernas, e, impossibilitada
de contratar os novos artista que faziam sucesso na
época, a editora decidiu inovar com a personagem-título.
Embora seguisse uma rica tradição de personagens
vampiros, Vampirella tinha diferencias que ajudaram a
torna-la um ícone pop: ela junta a mística dos vampiros
com a sensualidade transgressora da personagem-título
do filme francês Barbarella. Era uma vampira numa
época em que os caçadores noturnos eram quase que
exclusivamente do sexo masculino, e também tinha uma
origem incomum, sendo a última sobrevivente de um
planeta condenado e disposta a ser uma heroína defensora
de seu mundo adotivo (uma trama reminiscente de um
certo sujeito de capa vermelha e "S" no peito).
Esses elementos lhe permitiram transcender a condição
de mera narradora. Desenvolvida por Forest J. Ackerman,
um editor da Warren, com design por Trina Robbins
(que também foi a primeira mulher a desenhar a Mulher-
Maravilha, e uma artista de destaque nos quadrinhos
underground), de início a personagem era um tanto frívola
e sem profundidade, apenas interessada em paquerar
e beber sangue.... Atitudes que lhe serviam bem como
anfitriã da revista, mas que não lhe davam muito espaço
para se desenvolver como personagem. E por isso mesmo,
depois de duas curtas histórias nos dois primeiros
números da revista, Vampirella foi deixada de lado. Jim
Warren diria sobre a primeira investida de Vampirella
nos quadrinhos: "Em retrospecto, o estilo de desenho de
Tom [Suton] não era adequado para Vampi, bem como o
estilo de escrita de Forry [Forest J. Ackerman] não estava
atingindo o objetivo que eu queria. A primeira edição foi
terrível, e a segunda tão ruim quanto, simplesmente não
era o que queria".
Mas com a chegada de Archie Goodwin aos roteiros
no número 8, a coisa toda mudou de figura. Ele
recontextualizou os parcos elementos já estabelecidos nas
histórias passadas, transformando-a num personagem
trágico e determinado... Vampirella agora não era mais
uma turista na Terra, escolhendo pessoas para devorar
como quem faz compras num shopping. Ela era sim
uma refugiada, sobrevivente duma catástrofe que havia
matado todos os outros membros de sua raça. Em sua
segunda história, Vampi havia supostamente causado um
acidente de avião. Mas na nova ótica trazida por Archie
Goodwin, ela era apenas mais uma vítima, a única a
escapar da tragédia, embora não ilesa: suas asas negras
de morcego tiveram que ser amputadas, e ela não mais
voaria na forma humana. A arte de Tom Sutton ainda
não ajudava, mas Vampirella finalmente tinha uma alma.
Foi só na edição 12 que ela finalmente teria uma
aparência a fazer jus ao sonhos do Publisher Jim Warren.
Josep Toutain, um agente de artistas, apareceu na editora
um belo dia em 1971. Era o início da invasão espanhola
da Warren: no decorrer dos próximos anos, mais de
45 artistas, a maioria deles da região da Catalunha,
mostraria seu estilo diferenciado nas páginas de Creepy,
Eerie e, é claro, Vampirella. Desse, um se destacaria
como o artista mais identificado com a vampira, tendo
desenhado 53 edições das 112 publicadas pela Warren.
José González trouxe sua experiência como desenhista
de quadrinhos românticos, emprestando brilho às
compridas mechas de Vampirella, a maquiagem pesada e
sedutora, mas a isso ele acrescentou detalhes atmosféricos
e retratos de pessoas bem desenhadas e realistas.
A combinação dos dois seria um sucesso explosivo,
e, embora tenha durado poucos números (pois Archie
Goodwin bandeou-se para a DC Comics e depois para a
Marvel, onde revolucionaria novamente os quadrinhos com
o selo Epic), ficou marcada nos corações dos fãs até hoje.
Essa coleção traz essa parceria magnífica, além disso, as
histórias de outro aclamado escritor da Warren, T. Casey
Brennan, que cultivou as sementes plantadas, e, com
a ajuda de González, elevou as tramas a outro patamar.
Encerrando a coleção temos um roteiro do veterano
Steven Englehart, aqui sob o nome de Chad Archer.
Após o surgimento do Código de Quadrinhos (um
código de ética e padrões capitaneado pelo controverso
Dr. Frederic Wertham) em 1954, gibis com representação
gráfica de sangue e violência, bem com insinuações
sexuais, foram banidos. Esse foi um terrível baque para os
gibis de crime e terror, cujo material consistia quase que
na sua totalidade de itens proibidos.
A editora Warren Publishing contornou a restrição de
uma maneira criativa: lançou antologias de quadrinhos
de terror, entremeadas a artigos e em formato magazine,
e que tinham artigos mesclados às histórias. A editora
foi uma das pioneiras de quadrinhos em preto e branco
nesse gênero na década de 1960.
As revistas Creepy, de 1964, e Eerie, de 1965, que
começaram essa linha de publicações, tinham um misto
de mascotes e apresentadores das diversas histórias,
conhecidos respectivamente como o Tio Creepy e o
Primo Eerie. Com o sucesso dessas duas publicações, o
caminho estava aberto para mais uma revista nesse estilo.
Mas, ao contrário das duas anteriores, que tinham
como narradores seres horripilantes e feiosos, a titular
apresentadora das tramas de Vampirella era uma vampira
sexy e atraente. Isso era devido a um pouco de desespero
por parte de James Warren: apesar do sucesso das duas
antologias que precederam Vampirella, em 1969 a Warrren
Publishing não andava bem das pernas, e, impossibilitada
de contratar os novos artista que faziam sucesso na
época, a editora decidiu inovar com a personagem-título.
Embora seguisse uma rica tradição de personagens
vampiros, Vampirella tinha diferencias que ajudaram a
torna-la um ícone pop: ela junta a mística dos vampiros
com a sensualidade transgressora da personagem-título
do filme francês Barbarella. Era uma vampira numa
época em que os caçadores noturnos eram quase que
exclusivamente do sexo masculino, e também tinha uma
origem incomum, sendo a última sobrevivente de um
planeta condenado e disposta a ser uma heroína defensora
de seu mundo adotivo (uma trama reminiscente de um
certo sujeito de capa vermelha e "S" no peito).
Esses elementos lhe permitiram transcender a condição
de mera narradora. Desenvolvida por Forest J. Ackerman,
um editor da Warren, com design por Trina Robbins
(que também foi a primeira mulher a desenhar a Mulher-
Maravilha, e uma artista de destaque nos quadrinhos
underground), de início a personagem era um tanto frívola
e sem profundidade, apenas interessada em paquerar
e beber sangue.... Atitudes que lhe serviam bem como
anfitriã da revista, mas que não lhe davam muito espaço
para se desenvolver como personagem. E por isso mesmo,
depois de duas curtas histórias nos dois primeiros
números da revista, Vampirella foi deixada de lado. Jim
Warren diria sobre a primeira investida de Vampirella
nos quadrinhos: "Em retrospecto, o estilo de desenho de
Tom [Suton] não era adequado para Vampi, bem como o
estilo de escrita de Forry [Forest J. Ackerman] não estava
atingindo o objetivo que eu queria. A primeira edição foi
terrível, e a segunda tão ruim quanto, simplesmente não
era o que queria".
Mas com a chegada de Archie Goodwin aos roteiros
no número 8, a coisa toda mudou de figura. Ele
recontextualizou os parcos elementos já estabelecidos nas
histórias passadas, transformando-a num personagem
trágico e determinado... Vampirella agora não era mais
uma turista na Terra, escolhendo pessoas para devorar
como quem faz compras num shopping. Ela era sim
uma refugiada, sobrevivente duma catástrofe que havia
matado todos os outros membros de sua raça. Em sua
segunda história, Vampi havia supostamente causado um
acidente de avião. Mas na nova ótica trazida por Archie
Goodwin, ela era apenas mais uma vítima, a única a
escapar da tragédia, embora não ilesa: suas asas negras
de morcego tiveram que ser amputadas, e ela não mais
voaria na forma humana. A arte de Tom Sutton ainda
não ajudava, mas Vampirella finalmente tinha uma alma.
Foi só na edição 12 que ela finalmente teria uma
aparência a fazer jus ao sonhos do Publisher Jim Warren.
Josep Toutain, um agente de artistas, apareceu na editora
um belo dia em 1971. Era o início da invasão espanhola
da Warren: no decorrer dos próximos anos, mais de
45 artistas, a maioria deles da região da Catalunha,
mostraria seu estilo diferenciado nas páginas de Creepy,
Eerie e, é claro, Vampirella. Desse, um se destacaria
como o artista mais identificado com a vampira, tendo
desenhado 53 edições das 112 publicadas pela Warren.
José González trouxe sua experiência como desenhista
de quadrinhos românticos, emprestando brilho às
compridas mechas de Vampirella, a maquiagem pesada e
sedutora, mas a isso ele acrescentou detalhes atmosféricos
e retratos de pessoas bem desenhadas e realistas.
A combinação dos dois seria um sucesso explosivo,
e, embora tenha durado poucos números (pois Archie
Goodwin bandeou-se para a DC Comics e depois para a
Marvel, onde revolucionaria novamente os quadrinhos com
o selo Epic), ficou marcada nos corações dos fãs até hoje.
Essa coleção traz essa parceria magnífica, além disso, as
histórias de outro aclamado escritor da Warren, T. Casey
Brennan, que cultivou as sementes plantadas, e, com
a ajuda de González, elevou as tramas a outro patamar.
Encerrando a coleção temos um roteiro do veterano
Steven Englehart, aqui sob o nome de Chad Archer.
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Vampirella (1969) #12 [pt-br].cbz
Vampirella (1969) #13 [pt-br].cbz
Vampirella (1969) #14 [pt-br].cbz
Vampirella (1969) #15 [pt-br].cbz
Vampirella (1969) #16 [pt-br].cbz
Vampirella (1969) #17 [pt-br].cbz
Vampirella (1969) #18 [pt-br].cbz
Vampirella (1969) #19 [pt-br].cbz
Vampirella (1969) #20 [pt-br].cbz
Vampirella (1969) #21 [pt-br].cbz
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American Flagg! (1983) n°10-12
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American Flagg! (1983) n°1-3
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