2017-01-16

Parte 6


Sangue e Fantasmas

Naturalmente, nada é mais inspirador à imitação do que o 
sucesso, e não demorou muito para que os derivados 
surgissem. Myron Fass e Carl Burgos entraram na briga com
Weird, sob a marca da Eerie Publications. Fass tinha
tentado garantir o título Eerie, mas a Warren o derrotou; 
eu suspeito que o nome da marca foi um "toma no..." para a 
Warren. As publicações da Eerie eram muito baratas para 
serem produzidas, e apresentava principalmente reimpressões de quadrinhos de horror pré-código da parceria com Robert Farrell das publicações Ajax-Farrell. Eles logo se tornaram notórios pelo sangue excessivo, e desenhavam um sangue extra em suas reimpressões.



O pessoal da Charlton, que tinha mantido seus pés de
molho com os quadrinhos de suspense durante toda a lei seca do horror, deu um passo a frente em 1966 com a primeira edição de Ghostly Tales (#55 de abril/maio de 1966), e acrescentou The Many Ghosts of Dr. Graves no próximo ano. Os quadrinhos de fantasmas da Charlton têm um certo charme que é difícil de descrever. Com o papel barato, as cores suaves e a criatividade da equipe de Steve Ditko, Pat Boyette, Pete Morisi, Rocke Mastroserio, e Sanho Kim (entre muitos outros), esses quadrinhos, reconhecidamente feios e bonitos ao mesmo tempo, e muitas vezes tão confuso como o inferno. Considere isso uma recomendação. Muito mais títulos de fantasmas logo apareceram, para manter essas impressoras funcionando.




Casas do Horror

O próximo grande acontecimento do horror veio da DC em
1968. House of Mystery, que existia desde os dias
pré-código, sofreu uma maquiagem gótica graças ao novo 
editor Joe Orlando, que estava planejando o modelo para ela seguindo o seu antigo emprego nos quadrinhos, na EC. Em Tales of the Unexpected de Murray Boltinoff caiu "Tales of" do título e da mesma forma, começou reformulá-la para um formato de "mistério". A palavra com "H" ainda era 
proibida. Demorou um tempo, mas no final de 1969, eram 
quatro títulos da DC circulando o novo banner "mistério".
House of Secrets fez uma mudança de estilo semelhante e The Witching Hour era totalmente novo. Esses quadrinhos estavam introduzindo os leitores aos novos talentos que em breve se tornariam superstars, como Berni Wrightson, Len Wein, Mike Kaluta e Marv Wolfman.


O grupo "mistério" da DC tornou-se a melhor coleção de
quadrinhos de quatro cores desde que o código entrou em
vigor. Eles adotaram apresentadores de terror, a la EC; 
Caim em House of Mystery, Abel em House of Secrets, e sim, até Eva chegou mais tarde para completar o trio bíblico de Orlando. Eles brigavam, brincavam, contavam piadas ruins, assim como qualquer respeitável anfitrião de horror deveria ser. As colunas de carta mantinham os fãs envolvidos, e o horror estava de volta nas boas graças do leitores.



A Explosão do Horror

Não era apenas limitado aos escritórios da DC, os 
quadrinhos de horror estavam explodindo por toda parte em 
1969! A Warren apresentou outro título, Vampirella, que 
devia muito a "good girl art"* como fazia parte do horror. 
A anfitriã era uma furtiva, parcamente vestida, vampira do 
espaço, e foi um sucesso imediato.

A Eerie Publications aumentou seu títulos para seis. Todos 
eram similares, mas as capas eram super sangrentas. Até o 
final do ano, eles introduziram novas artes, não apenas 
reimpressões, embora continuassem roubando roteiros dos 
quadrinhos pré-código. Stanley Morse achou o seu tesouro 
das histórias de horror pré-código para as revistas Shock e 
Chilling Tales of Horror da Stanley Publications. Seus 
quadrinhos foram tão mal selecionados que eles fizeram as 
publicações Eerie parecerem belos, mas eu ainda gosto 
deles. Ele logo iria introduzir mais dois. 

Robert Sproul, editor do sucesso da imitação da Mad, 
Cracked, entrou na disputa de revistas de horror em preto e 
branco com um cavalo muito bom; Web of Horror. Com arte de primeira de Wrightson, Kaluta, e Jeff Jones, roteiros de alto nível pelo editor Terry Bisson e Binder, e até mesmo um apresentador de terror (uma aranha chamada Webster), este título era um verdadeiro mimo. Infelizmente, ele só durou três edições, mas são cobiçadas por aficionados de quadrinhos de terror.

* estilo de ilustração, aonde o artista retrata mulheres 
atraentes para capas de revistas pulp ou para capa de 
revistas em quadrinhos, sendo ambas direcionadas ao público adulto.






2017-01-15

Parte 5




Revistas de Terror

Em 1956, quando a Era de Prata dos quadrinhos foi 
anunciada, não havia quadrinhos de terror. O gênero de super-heróis reinava e praticamente salvou a indústria.
Os fãs do medo ficaram à mercê da própria sorte, e 
permaneceram dessa maneira. Os editores não estavam dispostos a testar o código. Nem tudo era porcaria. A Charlton, a Atlas e algumas outras editoras publicaram títulos de suspense e mistério com arte decente e ambientes sombrios, mas era impossível escrever um (muito menos um assustador) conto de horror enquanto  estivesse limitado pelas restrições do código.



Os fãs de terror ficaram procurando emoções em outros 
lugares. Por volta de 1957, a American International
Pictures estava ganhando dinheiro com filmes sobre 
adolescentes lobisomens, alienígenas e mulheres-monstros. 
Mais tarde naquele ano, o terror chegou à televisão quando 
o pacote de filmes Shock Theatre foi lançado, e o país foi 
capaz de ver Frankenstein, Drácula e outros monstros da 
Universal Studios em suas salas de estar. A monstro mania 
estava varrendo os EUA! O empresário James Warren e seu 
editor Forrest Ackerman acharam a mina de ouro com o 
lançamento oportuno de sua nova revista de monstros, Famous Monsters of Filmland. Planejado como uma edição única, eles rapidamente decidiram continuar. Tornou-se a bíblia para os fãs da nova mania de monstros. Cargas de revistas de monstros se seguiram, e novamente os monstros estavam invadindo os quadrinhos. Em 1959 Joe Simon testou duas revistas de quadrinhos de horror em preto e branco, Weird Mysteries and Eerie Tales. A tímida distribuição e o mal planejamento impediram quaisquer edições futuras, mas estas misteriosas edições únicas são raras e muito procuradas até hoje. Embora claramente não fossem quadrinhos de terror, a Atlas desencadeou uma matança ao grande monstro, com quadrinhos de fantasia e ficção científica no final dos anos 50 e início dos anos 60. Desenhado por Jack Kirby e geralmente arte-finalizado por Dick Ayers, havia monstros com nomes como Rommbu, Kraa e Bruttu, muitos dos quais inexplicavelmente usavam uma fralda ou saiote (Jack, se você não vai desenhar seus órgãos, você não precisa ser tão pudico!). Monstros grandes do espaço frustrados por cientistas tímidos; era uma fórmula que funcionava.

Em 1962, a Dell Comics (que nunca se submeteu ao código,
porque os seus quadrinhos eram títulos como Pernalonga e 
Pato Donald) publicaram dois dos melhores quadrinhos de terror da época; Ghost Stories #1 (set. nov.), e a única edição de Tales from de Tomb (outubro). As histórias em ambas foram escritas por John Stanley, mais conhecido por Luluzinha, que saiu da sua zona de conforto e escreveu alguns contos de horror excepcionais que ainda são atuais até hoje.



Das Telas para os Quadrinhos





Nesse mesmo ano, a Dell/Gold Key licenciou os direitos de
The Twilight Zone (Além da Imaginação) e Boris Karloff 
Thriller. Ambos os títulos possuíam apresentadores (Rod 
Serling, para o primeiro, é claro) desenhado em painéis 
splash e várias histórias em formato de antologia. Com a 
edição #3, Thriller transformou-se em Boris Karloff's
Tales of Mystery e durou bastante. As histórias lidavam com 
o ocultismo e o sobrenatural, com uma boa dose de monstros, e saciaram o desejo pelo horror para alguns de certo modo. A Dell também (muito, muito vagamente) adaptou filmes de monstros em quadrinhos, como The Creature and The Mummy. Eles também eram livres do código, mas a reprodução era muito cuidadosa.
O verdadeiro atrativo dos quadrinhos da Gold Key e da Dell 
eram as exuberantes capas pintadas. Muitas destas pinturas coloridas permanecem sem crédito, mas são consistentemente boas e atraentes. As adaptações de filmes da Dell muitas vezes também usaram fotos na capas e arte dos cartazes do filme.

A Warren reina


Uma das muitas cópias da Famous Monsters of Filmland
era a Monster World da própria Warren. Os primeiros números encontramos a Warren apresentando versões em quadrinhos em preto e branco de 3 filmes de monstros, com arte de artistas da EC, Wally Wood e Joe Orlando! A resposta deve ter sido boa porque o próximo passo da Warren foi grande; uma edição  totalmente de quadrinhos de horror!

A Creepy da Warren foi introduzida em 1964 e criou uma onda de horror que reverberou por uma década. Esta revista de quadrinhos de terror em preto-e-branco sem o selo do código tinha de tudo... lobisomens, vampiros, sangue e até mesmo um anfitrião experto em horror o Tio Creepy, que apresentou brilhantes histórias com trabalhos de arte impressionantes. Abrilhantados por grandes nomes da EC como Reed Crandall, Orlando, e Frank Frazetta, e com uma capa de Jack Davis, isso era o que fanáticos pelo horror estavam esperando. HORROR com força total! Foi um sucesso instantâneo. O escritor e (como na edição #3) editor, Archie Goodwin, foi homenageando seus quadrinhos favoritos, a linha de horror da EC, e seus leitores estavam colhendo as recompensas. A Warren apresentou a Eerie no próximo ano e o jogo continuou!



Como a EC uma década antes, as revistas de Warren
se tornaram o padrão para tudo o que se seguiria. Creepy e
Eerie exibiam lindas capas pintadas (muitas pelo incrível
Frazetta), escritas pela excelência em horror (além de 
Goodwin, havia talentos como Otto Binder e Larry
Ivie) e a melhor coleção de artistas desde os dias de 
glória. Johnny Craig, Angelo Torres, Gray Morrow, Alex 
Toth; o quadro de artistas poderia ser visto como um dos 
melhores artistas de horror de todos os tempos. Mesmo 
quando a Warren recorria a reimpressões de edições 
anteriores para dar corpo a uma nova edição, a qualidade 
foi sempre muito alta. Quando a guarda mudou e o alto 
escalão da antiga EC saiu fora, sangue novo e fresco se 
moveu para dentro para manter os leitores interessados
e para manter as revistas de horror da Warren bem 
sucedidas.

2017-01-14

Parte 4

Salvem Nossas Almas


Com dúzias de novos quadrinhos de terror acumulando as bancas a cada semana, era importante ser notado. A Comic Media fez exatamente isso em seu título de horror 
Horrific, que caracterizou o close-up, as caras aterrorizantes em suas capas, desenhada por Don Heck. Tanto a Gillmore quanto a Fawcett utilizaram os talentos de Bernard Bailey como artista de capa para atrair o olhar do leitor. As histórias dentro de todos esses quadrinhos tinham acima de tudo um esforço para competir. Até o Frankenstein de Prize, que passou de humor de desenho animado à horror (enquanto ainda estava sendo habilmente escrita e desenhada por Briefer) no início de 1952, entrou na linha de ação sangrenta. O personagem titular mata uma vítima derramando metal derretido para baixo de seu esôfago na edição #30! Puta Merda! Isso deve doer! Vampiros sugando sangue, lobisomens retalhando carne, espíritos se alimentando dos mortos, decapitações, desmembramento, cadáveres ambulantes procurando vingança, banhos de ácido. Foram dias de glória dos quadrinhos sangrentos de terror, todos manchados em cor de sangue, por um centavo. Era um pesadelo se tornando realidade, mas poderia esta bela carnificina durar para sempre? Certamente alguém surgiria e faria chover no desfile, certamente nossas almas precisavam ser salvas.

O mundo sempre foi e sempre será povoado por pessoas que pensam que sabem o que é melhor para nós e precisam nos dizer como viver. Nosso auto-nomeado "salvador" naquela época era o psiquiatra Frederic Wertham.
Seu livro, Seduction of the Innocent, foi lançado no início
1954 e chicoteou seus leitores em um livro anti-quadrinhos
delirante. Ele propunha que as histórias em quadrinhos levaram à delinquência juvenil. Muitas sobrancelhas foram levantadas pelos dados (por vezes falsificados) e estudos do caso, tanto que um Subcomitê do Senado de Delinquência Juvenil foi formado, para investigar essas acusações. Os pais se envolveram, culpando os quadrinhos pelos males da sociedade, porque era mais fácil ter um bode expiatório do que realmente ser um pai responsável. A audiências eram uma caça às bruxas. Todos os quadrinhos foram julgados, mas os de terror e de crime levaram a culpa pelo abuso. William Gaines foi levado a depor em nome da indústria de quadrinhos e foi interrogado até arder em brasas.

Inevitavelmente, as audiências não provaram nada. Mesmo que o pequeno Johnny não fosse derramar metal derretido pelo esôfago de ninguém, como nos quadrinhos, o dano já tinha sido feito; a má publicidade era demais. A pressão 
deplorável dos pais que agiam como ovelhas que não podiam pensar por si mesmos (e foram ultrajados por quadrinhos porque eles eram o que diziam que eles deveriam ser) tornou difícil para os jornaleiros exibir os quadrinhos proibidos. A indústria adotou um programa de auto-censura; um quadrinho agora tinha que exibir seu selo de aprovação. Qualquer coisa que pareça um quadrinho de horror ou crime não teria o selo. Padrões ridículos
foram criados para livrar o mundo dos quadrinhos de terror; 
não a vampiros, lobisomens, espíritos, zumbis, derramamento de sangue, canibalismo, desenhos horripilantes ou qualquer outro quadrinho de terror passariam a ser revisados. Eles não podiam usar a palavra
"terror", "horror" ou até mesmo "estranho" em um título.


NORMAS GERAIS PARTE B

1. Nenhuma revista de quadrinhos usará a palavra horror ou terror em seu título.

2. Todas as cenas de horror, derramamento de sangue 
excessivo, crimes sangrentos ou macabros, depravação, luxúria, sadismo, masoquismo não serão permitidos.

3. Todas as ilustrações espalhafatosas, desagradáveis e horríveis devem ser eliminadas.

4. A inclusão de histórias sobre o mal deve ser usada ou
ser publicado em um lugar onde a intenção é ilustrar uma 
questão de moral e em nenhum caso o mal será apresentado sedutoramente nem como para ferir a sensibilidade do leitor.

5. Cenas que lidam com, ou instrumentos associados à 
mortos-vivos, tortura, vampiros e vampirismo, espíritos, 
canibalismo e lobisomens são proibidas.

Nós nunca tivemos uma chance! Com isso, a partir do código vigente de quadrinhos, proíbe qualquer uma das boas coisas!

O horror foi banido. Alguns editores tentaram liberar
seus quadrinhos sem o código, mas o produto foi devolvido,
ainda amarrado em pacotes. Eles não serão exibidos.
Até hoje, os fãs de quadrinhos ficam irritados com essa 
parte da história. Inferno, tudo isso aconteceu quase dez 
anos antes de eu nascer e eu ainda tomo pelo lado pessoal!




Claro, com o código em vigor, muitas empresas de quadrinhos foram a bancarrota; eles fecharam as portas ou passaram para outros empreendimentos. Muitos criadores estavam sem trabalho. Algumas empresas como a ACG e a National (DC), que nunca ousaram muito para começar, existiam bem dentro do código. A Atlas mudou para um formato de fantasia familiar. Bill Gaines tentou jogar pelas regras com alguns quadrinhos aprovados pelo código, mas 
simplesmente não era de coração. Não derramou lágrimas por ele; ele colocou sua energia no único título remanescente da EC, Mad, que ele tinha alterado para um formato de revista (assim ignorando o código) e ficou com ele para o resto de sua vida. Morreu em 1992, um homem muito rico.


Parte 3


Contos de Terror EC


Os títulos de crime foram deixados em favor da The Crypt of
Terror (mudou para Tales from the Crypt após três edições)
E The Vault of Horror, cujas edições de estreia tinham uma 
capa  de abril/maio 1950. No próximo mês, um terceiro 
título, A Haunt of Fear foi introduzida e a bola continuou rolando. As primeiras edições ainda estavam encontrando seu caminho, mas o trio-terror logo acertou o seu passo e gerou uma era de quadrinhos que nunca será esquecida. Gaines e Feldstein escreveram imaginativas histórias para adultos com finais de reviravoltas inteligentes. Eles criaram não só os melhores quadrinhos de terror, mas talvez os melhores quadrinhos de todos os tempos. Agora, sempre haverá alguém para contrariar que sustente que a EC era OK, mas não era assim tão boa, mas isso é apenas alguém 
tentando ser do contra. Quero dizer, é como dizer que o 
Gary Cherone era o ponto culminante do Van Halen. Gaines e Feldstein reunindo os melhores artistas e os encorajou (e 
pagando bem) para ir acima e além. E eles fizeram.


Os quadrinhos de terror da EC são os verdadeiros responsáveis por tudo que se seguiria. Eles tiveram seus anfitriões (The Haunt of Fear apresentou The Old Witch [A Bruxa Velha]), seu sempre presente humor negro e quatro contos concisos e bem escritos em cada edição. E que obra de arte... da seleção fixa de artistas da EC, lê-se como um quem é quem das lendas da 9a Arte. Jack Davis, Johnny Craig, Jack Kamen, Reed Crandall, George Evans, Wally Wood, Joe Orlando, Al Williamson e o editor Al Feldstein, entre outros, todos criaram obras de arte que mais de meio século depois continuam atuais. Não vamos esquecer o "Pavoroso" Graham Ingels, cujo estilo inimitável é para muitos a imagem do próprio horror. Personagens torcidos e retorcidos, com fios de baba se estendendo entre seus lábios vermelhos, habitações úmidas, paisagens sombrias e cemitérios fétidos. As aranhas de Ingels, linhas de tintas finas derramadas em grossas sombras pretas; sua arte atmosférica era um verdadeiro estudo de iluminação... ou a falta dela. Tão profundo e maligno eram as sombras do Pavoroso que Gaines e 
Feldstein o recriaram em seus pontos fortes e produziram um conto sobre uma sombra assassina para ele ilustrar ("Shadow of Death" em Tales from the Crypt #39).









O Crescimento do Terror

Os quadrinhos de terror tinham altas vendas, e todos 
seguiram a tendência. Em 1952, havia mais de vinte editoras com seus próprios títulos de terror. Logo, havia 50 títulos 
competindo por espaço todo mês nas prateleiras por todo o 
país. Alguns eram grandes, outros maçantes, mas em 
retrospecto, todos eram interessantes. A Atlas Comics 
(agora Marvel) havia testado as águas do terror em 1949 por duas edições de Amazing Mysteries. Eles com certeza 
tentaram enquanto a água estava quente, tinham mais de uma dúzia de diferentes títulos no mercado durante o boom. Os quadrinhos de terror da Atlas possuíam uma excelente arte de pessoas como Bill Everett, Russ Heath e o grande Joe Maneely. A Harvey Comics, agora conhecida essencialmente por produzir para crianças como Riquinho e Gasparzinho, possuía um quarteto de bons títulos de terror e uma boa equipe de criadores, incluindo Bob Powell, ainda favorito dos fãs.














Parte 2


Amanhecer de Uma Era

Com um capa de janeiro de 1947, a Avon finalmente lançou um 
produto genuíno... Eerie Comics # 1. Esta foi a primeira história em quadrinhos de terror totalmente colorida de todos os tempos. Cinco contos de horror com histórias completas (incluindo "The Man-Eating Lizards", com ilustrações de Joe Kubert!), uma capa atraente com um vampiro ameaçando uma vítima feminina amarrada (um fetiche herdado das revistas "pulp") e até mesmo uma história assustadora. A Avon publicava essencialmente edições de bolso (eles ainda publicam), mas também foram flertando com quadrinhos na época. Embora o índice diga "publicação trimestral", apenas uma única edição foi lançada, a Avon se especializou em edições únicas.


O próximo passo significativo na história dos quadrinhos de
horror veio do American Comics Group (ACG), na forma de 
"Adventures into the Unknown". A primeira edição,
datada de outono de 1948, trazia lobisomens, fantasmas e 
maldições que os fãs de horror tinham suplicado. O melhor 
de tudo, o título não iria desaparecer. Este foi o primeiro
título de todos eles. Um pouco tímido comparado ao que as 
histórias de terror da ACG sempre foram muito bem 
desenhadas e inteligentemente escritas, talvez 
especialmente hediondas. Vamos chamá-las de "assustadoras".



Nesse mesmo ano, o criador Sheldon Moldoff teve uma
ideia para um quadrinho "sobrenatural" para um muito 
inexperiente William M. Gaines na EC Comics. Gaines herdara 
recentemente a empresa após a morte de seu pai e estava 
procurando novas ideias. Ele gostava da idéia de Moldoff 
para Tales of the Supernatural e, então, concordou em 
publicá-la. Infelizmente, a negociação para o novo título 
fracassou, mas Gaines publicou as histórias produzidas em 
edições de Moon Girl e Crime Patrol nos próximos dois anos.

Mais ou menos na mesma época, Gaines trouxera Al
Feldstein a bordo na EC, originalmente para um quadrinho 
adolescente. Como o gênero estava perdendo popularidade, os 
dois focaram para definir a tendência, em vez de segui-lo. 
Ambos eram fãs do horror, especificamente dos programas de 
rádio antigos como Lights Out e The Witch's Tale, o último 
apresentado por uma tagarelante, velha, você adivinhou, 
bruxa. Eles pensaram que um projeto de quadrinhos de
horror poderia ser a próxima grande tendência. A dupla 
criou alguns contos de arrepiar e introduziu-os na
duas últimas edições de quadrinhos de crime da EC, Crime 
Patrol e War Against Crime. Como seus programas de rádio 
amados, cada história de horror tinha um anfitrião 
assustador, a Crypt-Keeper (Zelador da Cripta) em Crime 
Patrol e o Vault Keeper (Guardião da Câmara) em War Against 
Crime. É claro que as histórias foram um grande sucesso e a 
cara do quadrinhos mudaram para sempre.

2017-01-13

A Frenética História dos Quadrinhos de Terror Parte 1

por Mike Howlett



No Início

Quadrinhos, tanto como uma forma de entretenimento e
uma indústria, tiveram uma história diversificada. Para 
cada atributo, sempre houve uma dificuldade; para
cada triunfo, um fracasso. Essa noção nunca foi tão
claramente ilustrada do que com as histórias de terror, a 
irmã feia do meio. O gênero teve muitos críticos
ao longo dos anos, mas seus verdadeiros fãs são fanáticos e 
leais, e talvez um pouco desvairados. Pais, igrejas e até 
mesmo o governo tentaram manter nossos quadrinhos de terror 
longe de nós, mas como os zumbis em suas páginas, eles 
sempre parecem voltar. Vamos dar uma olhada como tudo 
começou.

Na chamada "Era de Ouro" dos quadrinhos, não havia
títulos de horror. Não é que não fosse um gênero viável.
Os filmes de terror era populares há anos,
da Universal Studios, como Frankenstein, Drácula (ambos de
1931) e A Múmia (1932). Revistas "pulp" também eram
muito populares, com títulos como Horror Stories, Terror 
Tales e Weird Tales, que contaram com histórias de H.P. 
Lovecraft e um muito jovem Robert Bloch, que permanecem 
titãs do terror até hoje. No entanto, demorou um pouco para 
que o horror conquistasse o reinado das quatro cores.

Claro, assim como todo super-herói (os personagens de 
quadrinhos mais populares) precisa de um vilão, cada 
policial precisa de um criminoso. Então, vários meliantes 
da Idade de Ouro tinham um tom horrível, fossem 
cientistas loucos ou assassinos psicopatas ou qualquer 
outro personagem repugnante. No começo, a maioria dos 
quadrinhos eram antologias com títulos que continham 
publicações com personagens em série: um super-herói, um 
repórter, um detetive, etc.
A edição de dezembro de 1940 da Prize Comics (# 7) começou serializando "The New Adventures of Frankenstein," escrita e desenhada pelo grande Dick Briefer. No entanto era muitas vezes mais humorístico ou aventureiro do que horrível, algumas das edições eram bastante mórbidas. Classic Comics (que mais tarde se tornou Classics Illustrated, uma série que todos nós conhecemos e fingimos amar) adaptando "Dr.Jekyll e Mr. Hyde" para sua 13ª edição em 1943, e mais tarde adaptando outros contos clássicos de terror (como "Frankenstein" na edição # 27, 1945). As coisas estavam definitivamente caminhando para a direção correta, porém lentamente.


Em 1944, a Charlton Comics, o orgulho da cidade de Derby 
(Connecticut), lançou a primeira edição de Yellowjacket 
Comics, outra coleção de séries de aventuras de super-
heróis.
No entanto, entre as façanhas dos benfeitores estava uma 
chamada "Famous Tales of Terror". Estampou em sete das dez 
edições do título. As primeiras quatro foram adaptações das 
histórias de Edgar Allan Poe, enquanto as três finais foram 
apresentadas por uma velha contadora de histórias de 
bruxas.
Estas foram histórias de horror! Enquanto isso,
o Frankenstein de Briefer ganhou seu próprio título em 
1945, era estritamente um quadrinho de humor dos desenhos 
animados.