A desprezível Era de Bronze
Diz-se que 1970 é o início da "Era de Bronze" dos
quadrinhos. Ao contrário do início da Era da Prata,
as estantes de quadrinhos estavam inundadas com produtos de horror desta época. De 1970 a 1974, um verdadeiro "boom" de terror estava acontecendo. House of Secrets de Joe Orlando atingiu o topo com a edição #92 (junho/julho 1971). A história principal, com 8 páginas escritas por Len Wein e ilustradas por Berni Wrightson, foi um sucesso fácil e, eventualmente, levou ao seu sua próprio título. A história
foi chamada "Monstro do Pântano".
Sexo, drogas e horror misturados nos quadrinhos underground que começaram a surgir na nova década. Notáveis títulos de horror como Insect Fear pela Print Mint e Skull e Fantagor, ambos pela Rip-Off Press, ampliaram os limites do bom gosto, mas o fizeram com histórias inteligentes e arte imaginativa. Richard Corben, que muitas vezes assinou seu nome como "Gore" (a la "Ghastly" Ingels), se dedicou nestes quadrinhos de contracultura anos antes de se tornar uma estrela na Warren.
Os títulos de mistério da DC se multiplicavam como coelhos,
todos com histórias muito boas por escritores como
veteranos da EC Jack Oleck e Carl Wessler, e ilustrados
principalmente por um fenomenal grupo de artistas das
Filipinas. Estes títulos de vinte centavos da DC
foram algumas das melhores histórias coloridas de horror
desde a extinção da EC. Com capas de Neal Adams (cuja especialidade eram capas do tipo "crianças em
perigo"), Wrightson, Nick Cardy e Luis Dominguez,
E com arte interna de Alfredo Alcala, Nestor Redondo,
e Alex Niño, novos títulos como Ghosts, Weird Mystery
Tales, e Secrets of Sinister House todos produzidos ao
montes. O código tinha se soltado um pouco, então vampiros e lobisomens eram novamente perseguidos nas páginas impressas dos quadrinhos. Joe Orlando nos deu os cães do horror que tanto queríamos.
Orlando realmente aproveitou a palavra "weird [estranho]"
quando foi considerado OK para ser usado sob o código.
Tudo ficou estranho: Weird War Tales, Weird Western
Tales, Weird Worlds e os artistas de "mistério" estavam
trabalhando o tempo todo. Weird Western Tales foi a casa de Jonah Hex, um caçador de recompensas com cicatrizes e anti-herói cujas façanhas cercadas de horror. Weird War
Tales, que contou com os mesmos escritores e artistas dos
títulos de horror sério, apresentados por ninguém menos que a própria morte.
Horror Mood
Além das revistas Warren (que começaram importando talentos artísticos da Espanha e novamente aumentaram o nível com algumas obras da 9a.arte absolutamente
impressionantes), e os quadrinhos da DC e Charlton, a
Skywald entrou no mercado de revistas de horror em preto e
branco em 1970. O que foi, na minha opinião, o melhor dia do horror. Seus títulos Nightmare, Psycho e Scream faziam parte do auto-proclamado "Horror-Mood", e o editor Al
Hewetson escreveu algumas das histórias mais divertidas,
Lovecraftianas deste lado do inferno. As primeiras edições
ainda tinham de encontrar o seu caminho, mas uma vez que
Hewetson estava no comando, estes eram tão boas quanto
qualquer coisa publicada na época.
Admito que tive muita sorte. De 1972 a 1974
foi um tempo fantástico para ser um verme pelo horror;
foi pessoalmente a minha idade de ouro. As prateleiras estavam cheias de quadrinhos de horror tanto em cores e preto e branco. Eu costumava fazer Creepy Crawlers (pequenos bichos de borracha) e vendê-los para crianças depois da escola. Assim que juntasse 20¢, eu corria para a Bill's Variety e comprava uma nova edição da Unexpected ou da Forbidden Tales of Dark Mansion. Se isso me faz um velho excêntrico agora, então que assim seja, mas eu fiz isso naquela época. Eu também vi a banda original de Alice
Cooper em 1973, e Thin Lizzy abrindo para Queen em 1977, então foda-se! Não pise na minha grama!
Heróis ou Horror
Então, onde estava a Marvel durante tudo isso, você pode
se perguntar. A Casa das Ideias tinha, naturalmente, mudado a face dos quadrinhos no início dos anos 60 com sua própria marca de histórias em quadrinhos de super-heróis; o Quarteto Fantástico, o Incrível Homem-Aranha, e os X-Men fizeram a Marvel muito rica e injetaram a todos os
quadrinhos uma dose de adrenalina. Eles eram os figurões no gênero, mesmo com os heróis icônicos da DC ainda sendo extremamente populares. Quanto ao horror, eles realmente não agiram até 1969, com Chamber of Darkness e Tower of Shadows. As edições iniciais incluíam histórias totalmente novas com algumas obras de arte excelentes, mas ambas logo começaram a ser mescladas com reimpressões antigas da Atlas. Ambos os títulos foram cancelados em 1971. Mas eles estavam longe de acabar.
Com a vasta oferta de material Atlas, a Marvel abriu as
comportas. Entre 1970 e 1973, múltiplas histórias em
quadrinhos que utilizam esse artifício de monstro gigante e
reimpressões da era pré-código. Chamber of Chills, Crypt of
Shadows, Where Monsters Dwell, Vault of Evil, and Uncanny Tales from the Grave... os sucessos continuaram chegando. Alguns desses títulos tinham algumas novas histórias misturadas, mas a maioria do conteúdo eram velhas reimpressões da Atlas. O material ainda era novo para a maioria dos leitores da época.
A Marvel também marcou pontos com suas séries de monstros Tomb of Dracula e Werewolf by Night. Roteiros e arte de primeira classe deram a ambos os títulos uma vida longa. Aqui é onde eu tenho que ser totalmente crítico e
controverso e mexer no vespeiro. Eu tenho resistência em
considerar Tomb of Dracula, e os outros títulos de
personagens de quadrinhos de horror puro. Realmente, o
horror é uma situação, não um personagem, não importa quão má alguém possa ser. Você simplesmente não consegue expressar o horror por um longo tempo. Uma série curta ou mini-série, com certeza. A Marvel, em particular,
também fez seus monstros se parecerem um pouco como super-heróis para mim. Afinal, era isso que a empresa fazia de melhor. Para mim, o formato de antologia é a forma mais
pura de quadrinhos de terror. Baseio dizendo que, na minha opinião, a curta duração da história é a forma mais pura de ficção de horror também. Você pode pensar em Lovecraft, Bloch ou Barker sem pensar primeiro em suas obras-primas de contos? Claro que tenho a Eerie da Warren, que contava com muitos personagens. Desculpe... Dax, o Guerreiro, não era horror, não importa quão lindamente escrita e desenhada fosse. Esses quadrinhos têm momentos assustadores e personagens assustadores, mas eles são realmente horror? E eu vou ser honesto, quando eu era garoto, eles realmente me torravam o saco quando eu chegava no final de um gibi apenas para ser surpreendido por um "continua..."
Deixando minha discussão por ninharias de lado, houve
pontos altos nos quadrinhos para escolher na época e
ainda constantemente surgindo. Em 1973, a Marvel acrescentou uma linha de revistas em preto e branco de "horror" para diversificar também. Esse boom não poderia durar para sempre e, de fato, o mercado não suportou tanto produto.
Muitos dos títulos de mistério da DC começaram a
desaparecer em 1974. O mercado de preto e branco implodiu dentro de um ano, com as editoras Eerie e Skywald fechando, e a Marvel descontinuando suas revistas de "horror". A Warren enfrentava, como eles ainda eram o melhor do grupo, com os mestres espanhóis ainda sendo fortes e com contribuições de Wrightson e Corben mantinham leitores interessados. Os principais títulos de mistério da DC como House of Mystery e Unexpetted continuaram oferecendo uma boa arte e histórias aceitáveis. As prateleiras foram podadas, mas ainda estavam dando frutos. A Charlton e a Gold Key continuavam lançando suas histórias em quadrinhos interessantes, e irregulares durante a década, embora muitas edições tenham sido sobrecarregadas com reimpressões do que material original. As publicações da Eerie ressurgiram em 1976 em uma forma ainda mais comprometida e inexperiente no início dos anos 80.